
São 18:38h de uma fria quinta feira aqui em Uberlândia, e eu mais uma vez sentadão da Silva esperando meu voo que sai somente as 20:50h pra São Paulo. Enquanto isso me delicio com um gostoso suco de laranja, cenoura e beterraba pra não deixar gripe nenhuma me pegar. De fones nos ouvidos escutando uma musiquinha básica comecei a fazer um apanhado dos últimos dias.
Desde domingo estou em Araxá, MG num concílio de pastores. A companhia de meus colegas de trabalho é ótima. Sou grato a Deus por eles. Estamos hospedados num fabuloso hotel na cidade. É encantador o capricho deste hotel. Desde o piso até os detalhes nos vitrais do teto, tudo é feito com todo o cuidado. Os quartos, a alimentação, a natureza. É dessa natureza que tirei minha história de hoje.
Um colega saiu para uma caminhada numa dessas manhã e viu uma cena interessante. Quatro tucanos pousados numa árvore aos berros. Gritavam como se tentassem expulsar algum inimigo mortal. Era como um canto de guerra. Aquilo chamou a atenção de meu colega que, ao olhar com mais cuidado, viu na mesma árvore o motivo de toda a gritaria: uma enorme coruja.
A coruja é símbolo de sabedoria. Não é a toa! A gritaria toda era para incomodá-la e expulsá-la da árvore. E a coruja? Nada. Como estava, ficou. Sábia, muito sábia. Explico.
Já reparou como nós nos incomodamos com o que as pessoas falam? Sei que algumas vezes alguns comentários doem, machucam e ferem, mas na maioria das vezes damos muito valor a gritos de tucanos insatisfeitos. E é nessa supervalorização que acabamos tentanto viver como se nosso maior objetivo fosse agradar a tudo e a todos. Bom, antes de continuar me permita dizer que é importante ter boa reputação e tentar ser bom e parecer bom sempre, mas isso é consequência de sábias escolhas e decisões.
Outra coisa completamente diferente é ficar tentando saber o que todo mundo fala de mim e me doer e sofrer e chorar com isso. Corujas, como eu queria aprender a ser como essa coruja. Nem aí para os que não tem o que fazer se não azucrinar a vida dos outros.
Uma vizinha que acha seu cabelo feio
Um colega que acha que você comprou o carro errado
Um parente que acha sua casa feia
Um amigo que fala mal de todo mundo
Corujas, calados e sem nos incomodar! Sonho de consumo, vontade insana de vencer.
Não sei o que os tucanos fizeram por fim e nem sei o que a coruja fez. Acho que ela estava dormindo a luz do dia. Acho que ela descansava na calma do vento fresco de Araxá, sei lá.
Sei que se você sofre demais por comentários, conversa, diz-que-me-diz, é hora de ser coruja.
Em silêncio, ignorando a gritaria, curta a vida de maneira sábia e seja feliz.
Chegou outro suco com pão de queijo: um bom jantar. Está tocando agora "Too much haven" dos BeeGees: boa música. Falta uma boa companhia: minha esposa e minha filha. Nem tudo é perfeito.
Vou jantar. Vá na paz.
Buuu
Ps. Tem sermão novo hoje. Finalmente...